Ao contrário de muitos criadores que seguiram percursos tradicionais desde cedo, Miyazaki entrou na indústria já adulto, depois de trabalhar fora da área. Essa mudança tardia acabou por influenciar bastante a sua visão criativa, trazendo uma perspetiva menos convencional. Quando assumiu a direção de Demon’s Souls, teve liberdade para arriscar, e foi aí que estabeleceu as bases do que viria a ser o seu estilo: mundos opressivos, mecânicas exigentes e uma narrativa fragmentada.
Visualmente e tematicamente, as suas obras exploram mundos decadentes, marcados por ruína, solidão e ciclos de queda. Há uma forte presença de melancolia e mistério, com personagens enigmáticas e histórias frequentemente trágicas. Estes elementos ajudam a construir atmosferas densas que se tornaram uma assinatura reconhecível do seu trabalho.
O impacto de Miyazaki vai muito além dos jogos que dirigiu diretamente. Ele é amplamente creditado por popularizar o chamado género “Soulslike”, influenciando inúmeros outros estúdios e projetos. Além disso, acabou por subir dentro da própria FromSoftware, tornando-se presidente da empresa, o que mostra não só o sucesso criativo, mas também a confiança que conquistou ao longo dos anos.
No fundo, o trabalho de Hidetaka Miyazaki gira em torno de uma ideia simples, mas poderosa: o valor da persistência. Os seus jogos colocam o jogador perante desafios constantes, mas também oferecem as ferramentas para os superar, criando uma experiência onde falhar não é o fim, mas sim parte essencial do caminho.